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	<title>Cultura da Convergência</title>
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		<title>Transformando a cultura de fã em conteúdo gerado por usuário</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 13:08:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[O Caso do FanLib  Você diz &#8220;Conteúdo gerado por usuário&#8221;. Nós dizemos &#8220;Cultura de fã&#8221;. Vamos parar com isso! As diferenças entre os modos como as empresas e os fãs entendem o valor da criatividade comunitária nunca foram mais explícitas do que as linhas de batalha delineadas neste final de semana em relação a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="clear: both"><strong>O Caso do FanLib </strong> Você diz &#8220;Conteúdo gerado por usuário&#8221;. Nós dizemos &#8220;Cultura de fã&#8221;. Vamos parar com isso! As diferenças entre os modos como as empresas e os fãs entendem o valor da criatividade comunitária nunca foram mais explícitas do que as linhas de batalha delineadas neste final de semana em relação a um novo empreendimento chamado&nbsp;FanLib.</p>
<p style="clear: both"><strong>FanLib – &#8220;Onde as histórias continuam&#8221; </strong> Fiquei sabendo dos planos mais recentes da FanLib cerca de uma semana atrás quando o analista do Consórcio Cultura da Convergência, Ivan Askwith, relatou seus esforços em seu blog: FanLib.com foi lançado como uma central de distribuição para os escritores de &#8220;fan fiction&#8221;. A ideia é acolher os criadores de um dos primeiros gêneros de &#8220;conteúdo gerado por usuários&#8221;, histórias de fãs escritas usando personagens e enredos populares de filmes ou televisão. Membros podem fazer upload de histórias, incorporar promoções e construir comunidades sobre seus programas favoritos. O FanLib, fundado pelo produtor de Titanic, Jon Landau, Jon Moonves e o ex-CMO do Yahoo Anil Singh, está atualmente patrocinando o Ghost Whisperer Fan Finale / Desafio Ghost Whisperer de Final de Fã no site, pedindo aos fãs que escrevam seu próprio encerramento para o final em duas partes do programa. Ivan concluiu seu post com algumas ponderações sobre se os fãs abraçariam um projeto desses com&nbsp;entusiasmo:</p>
<p><span id="more-116"></span>
<p style="clear: both">Uma vez que a fan fiction parece ser uma das últimas formas tradicionais de criatividade dos fãs que ainda não foi cooptada ou encorajada (dentro de parâmetros de copyright específicos e amigáveis) pela indústria do entretenimento&#8230; minha opinião espontânea seria de que a fan fiction, ao contrário dos mashups de vídeo, músicas-tributo e assim por diante, é mais difícil de &#8220;controlar&#8221; e proporciona maior liberdade para que fãs individuais levem os personagens ou narrativas em direções desconfortáveis para produtores e&nbsp;executivos. </p>
<p style="clear: both">O FanLib começou de forma bastante promissora, cortejando produtores de programas como The L World e The Ghost Whisperer, e conseguindo que os programas lançassem concursos oficiais de fan fiction. Os fãs teriam permissão para escrever dentro desses universos, sabendo que não receberiam cartas de cessão e desistência. O site inclusive trabalhou com uma editora de livros para tentar organizar uma antologia de ficção amadora romântica. Mas o FanLib não trilhou o caminho bottom-up da própria cultura de fãs. Não foi estruturado por gente que conhecia o mundo da fan fiction por dentro. Era um negócio, pura e simplesmente, gerenciado por um conselho administrativo composto exclusivamente por homens. Esse último ponto é especialmente relevante quando consideramos que uma enorme porcentagem das pessoas que escrevem fan fiction é do sexo feminino – mesmo com o aumento dos fãs escritores do sexo masculino quando o séquito de fãs chegou ao ambiente on-line. Para dar uma ideia da escala, mais de 700 pessoas estavam presentes à convenção de fãs de Harry Potter sobre a qual escrevi ontem – em sua maioria, leitores, muitos deles escritores de fanfic ambientada no mundo de J.K. Rowling. Pelas minhas contas não havia mais de 20 homens nesse grupo, 18 homens a mais do que haveria caso essa convenção direcionada a fan fiction tivesse ocorrido 16 anos atrás, quando escrevi Textual Poachers! Para imaginar quão distantes dessa comunidade eles estavam, seus primeiros anúncios mostravam o fandom como um fracote de 40 quilos se transformando em uma forma mais musculosa, fazendo com que as mulheres se perguntassem se isso implicaria em uma concepção mais masculina de sua prática. Posteriormente a empresa apresentou uma porta-voz feminina que expressou sua dúvida, logo de início, sobre porque o sexo do usuário seria um problema nessa&nbsp;questão.</p>
<p style="clear: both"><strong>Cenário histórico </strong> Tenha em mente que há um histórico anterior de tentativas corporativas – algumas afiliadas a empresas produtoras, outras não – para criar um espaço comercial para a promoção da cultura de fãs. A maioria delas terminou mal para os fãs. Considere, por exemplo, essa história em Salon, em 2000, que descreve uma empresa chamada Fandom.com (&#8220;por fãs, para fãs&#8221;), que afirmava ter direitos sobre a marca registrada da palavra &#8220;fandom&#8221; e tentaram usar seu controle corporativo do conceito para tentar calar quaisquer amadores que quisessem compartilhar seu público por meio da web. Salon noticiou uma notificação extrajudicial envidada pela Fandom.para uma fã chamada Carol Burrell. Abaixo, como Salon noticiou na época: Fandom.com serve como um site guarda-chuva para muitos &#8220;domínios de fãs&#8221; (os &#8220;fandomains&#8221;) – anteriormente sites independentes na web dedicados a assuntos populares ou relacionados a merchandise como Guerra nas Estrelas, Arquivo X e Senhor dos Anéis, que agora são geridos sob a bandeira do Fandom.com. Cada site contém a mesma estrutura e design e há um grande aviso de copyright no rodapé de todas as&nbsp;páginas&#8230;</p>
<p style="clear: both">A premissa inicial do Fandom.com era direta: proteger proprietários de sites de fãs da censura dos estúdios (e vender um monte de merchandises e anúncios atraentes no decorrer do processo)&#8230; Fandom.com parecia fazer sentido – ao juntar todos os indivíduos menores, criaria uma instituição que poderia se defender dos ataques mais pesados. Mas a carta do Fandom.com para Burrell parecia indicar algo completamente diferente. O Fandom.com estava acusando Burrell de violação de direitos autorais – um fato que se mostrava irônico em pelo menos dois níveis. Primeiro: Fandom.com não tinha sequer o direito de registro da marca sobre a palavra &#8220;fandom&#8221;. Segundo: uma empresa cujos sites individuais haviam nascido levando ao limite as leis de direitos autorais , agora fazia o movimento contrário e assumia o papel de opressor da propriedade&nbsp;intelectual.</p>
<p style="clear: both">Isso nos leva à pergunta que tem enfurecido a comunidade de fãs: quem protegerá os fãs da Fandom? Ou, considere outra tentativa criada pela Lucasfilm para “proteger” os fãs de Guerras nas Estrelas, descrita em mais detalhes em Cultura da&nbsp;Convergência:</p>
<p style="clear: both">Em 2000, a Lucasfilm ofereceu aos fãs de Guerra nas Estrelas espaço gratuito na web e conteúdo exclusivo para os seus sites, mas apenas sob a condição de que qualquer coisa que criassem se tornasse propriedade intelectual do estúdio. Como esclarecia a nota oficial de lançamento desse novo “recanto”, “para incentivar o contínuo entusiasmo, criatividade e interação de nossos dedicados fãs da comunidade on-line de Guerra nas Estrelas, a Lucas Online tem o prazer de oferecer, pela primeira vez, um site oficial para os fãs celebrarem seu encanto por Guerra nas Estrelas na rede mundial de computadores”. Historicamente, a fan fiction provou ser uma porta de entrada para o mercado editorial comercial, pelo menos para alguns amadores que conseguiam vender seus romances às séries profissionais de livros centradas em diversas franquias. Se a Lucasfilm Ltd. alegasse ter propriedade desses direitos, poderia publicá-los sem compensação e também removê-los sem prévio aviso ou&nbsp;permissão.</p>
<p style="clear: both">Elizabeth Durack foi a mais articulada líder de uma campanha que exortava os fãs de Guerra nas Estrelas a não participarem desse novo sistema. “aí reside a genialidade da Lucasfilm ao oferecer aos fãs espaço na web – faz com que pareçam incrivelmente generosos e permite que sejam mais controladores do que antes&#8230; A Lucasfilm não odeia os fãs e não odeia os sites dos fãs. Na verdade, eles sabem que se beneficiam da publicidade gratuita que esses sites representam – e quem não gosta de ser adorado? Essa jogada corrobora essa percepção mais do que qualquer coisa. Mas eles têm medo, e isso faz com que magoem aqueles que os&nbsp;amam”.</p>
<p style="clear: both">Até onde interessava aos fãs de longa data, a divulgação de que o FanLib criaria um portal comercial para apoiar a publicação de fan fiction foi visto como mais do mesmo. Nessas circunstâncias, haveria um ceticismo saudável dentro da comunidade de fãs escritores fosse qual fosse a abordagem da empresa mas, até então, a empresa havia tentado se aproximar dos fãs de todas as maneiras&nbsp;erradas.</p>
<p style="clear: both"><strong>O que deu errado </strong> Há um resumo excelente escrito por um fã sobre os problemas que envolvem essa empreitada. Não quero repetir todos os detalhes aqui. Mas aqui está como Icarussancalian resume a proposta inicial da empresa à comunidade de&nbsp;fãs:</p>
<p style="clear: both">Os fundadores do FanLib.com não viram motivo para não lucrar com o tráfego da internet. Originalmente funcionário da Google, Chris Williams, o CEO e cofundador do FanLib tem um currículo impressionante. FanLib tem respaldo corporativo de US$ 3 milhões de capital investidos no site. “Meus colegas e eu queremos ser a residência de escritores talentosos como você”, escreveu Naomi, do FanLib, para os escritores de fan fiction. “Caso você esteja se perguntando, o FanLib não chegou agora à fan fiction. Desde 2001, produzimos eventos muito bacanas na web em parceria com gente como CBS, Showtime e HarperCollins para trazer a criatividade dos fãs para a liga&nbsp;profissional”.</p>
<p style="clear: both">O FanLib fez seu dever de casa. “Procuramos por autores sérios de fan fiction em vários sites e convidamos apenas algumas centenas deles com base em sua produção escrita e em seu impacto sobre a comunidade”, disse o cofundador David Williams, e os fãs concordam que sua busca se concentrou em escritores populares. O que é um escritor “sério” de fan fiction? Um escritor sério de fan fiction pode ter algo em torno de 30 a 100 histórias com picos de 700 leitores regulares que assinam seus blogs ou contas do LiveJournal. Atualmente os escritores de fan fiction fazem seu próprio marketing por meio de sua própria rede de contatos com outros fãs, postando em blogs, acervos administrados por fãs e várias comunidades de fan fiction orientadas para seus&nbsp;leitores.</p>
<p style="clear: both">Infelizmente, o FanLib não fez muito mais do que pedir aos escritores que entregassem seu&nbsp;produto.</p>
<p style="clear: both">Os criadores do FanLib acabaram imediatamente enfrentando problemas com fãs que criticaram seus planos de lucrar com os trabalhos enviados gratuitamente, sem compensação aos autores além de camisetas e prêmios. Os escritores de fan fiction também ficaram bastante desgostosos com uma cláusula estabelecendo que o FanLib possuía os direitos sobre qualquer ficção publicada por&nbsp;eles&#8230;</p>
<p style="clear: both">Esse post também assinala claramente que a FanLib não assumiria riscos legais para proteger os fãs, deixando aos escritores o libelo por todas as ações legais que pudessem ser tomadas contra eles por quaisquer empresas produtoras que achassem que a fan fiction estivesse violando seus direitos de propriedade intelectual. Os fãs correriam todos os riscos; a empresa ficaria com todos os lucros, tudo pela oportunidade de propiciar um portal centralizador no qual os fãs poderiam acessar a “melhor” fan fiction, conforme avaliação do conselho de executivos corporativos do sexo masculino. (À primeira vista, a empresa estava tentando “escolher a dedo” os principais escritores do mundo amador. Na pior das hipóteses, estavam impondo seus próprios julgamentos estéticos sobre uma comunidade sem nenhum respeito real por quaisquer normas e hierarquias&nbsp;preexistentes).</p>
<p style="clear: both">Para acrescentar insulto à injúria, a empresa se cercou com uma retórica de enaltecimento próprio sobre alçar a fan fiction à “liga principal”, o que demonstrou pouca compreensão do porquê os fãs talvez prefiram agir no terreno mais livre ao qual Catherine Tossenberger, uma aca-fã que discursou esta semana no Phoenix Rising, chamou de “impublicável”. Ou quando os produtores falaram sobre disponibilizar a fan fiction para “audiências mainstream”, o que deixou claramente implícito que centenas de milhares de escritores de fan fiction e seus leitores estavam, de alguma forma, fora do&nbsp;“mainstream”. </p>
<p style="clear: both">Este é um debate que envolve a fan fiction já há bastante tempo. Alguns buscam a legitimação da fan fiction afirmando que se trata de um degrau ou campo de treinamento para a profissionalização de escritores, como se a comercialização da expressão criativa fosse o maior ápice que um autor pudesse atingir. Outros – eu, inclusive – afirmam que o valor da fan fiction deveria ser contabilizado nos termos da comunidade que a produz e lê, que um escritor fã que escreve somente para outros fãs ainda assim pode estar fazendo uma grande contribuição para nossa cultura, o que exige nosso&nbsp;respeito.</p>
<p style="clear: both">O FanLib fez seu dever de casa de acordo com os padrões do mundo do Capital de Risco: eles identificaram um mercado em potencial; desenvolveram um plano de negócio; identificaram contribuintes potenciais para o site; criaram um conselho executivo. Eles só não ouviram, conversaram ou respeitaram de verdade as comunidades existentes que cercavam a produção e a distribuição da fan&nbsp;fiction.</p>
<p style="clear: both"><strong>Fúria de fã </strong> Bem, se eles não haviam ouvido os fãs antes, começaram a ouvir notícias sobre eles a partir do último final de semana. Os fãs se reuniram onde quer que os fãs se reúnem, construindo argumentos, desconstruindo os FAQs das empresas, propondo modelos alternativos sobre como determinada coisa poderia ser feita da forma correta, escrevendo cartas aos responsáveis e tentando responsabilizá-los por suas&nbsp;atitudes. </p>
<p style="clear: both">Podemos ter um idéia da intensidade desses argumentos observando alguns dos muitos posts publicados no Metafandom, um site no qual os fãs se reúnem para discutir as políticas e poéticas da cultura de fãs ou, como eles mesmos diriam, para “punhetar”. Quando damos ouvidos às vozes desses fãs, ouvimos algumas de suas mais profundas ambivalências sobre os modos como o convite corporativo do “conteúdo gerado por usuários” pode estar colocando em risco a cultura comunitária básica que eles mesmos criaram sozinhos. Aqui por exemplo, almostnever&nbsp;declara:</p>
<p style="clear: both">É por essa razão que recentemente me envolvi em discussões sobre se nossa comunidade deveria ou não aceitar ganhar dinheiro com a fan fiction. Porque eu acho que isso vai acontecer quer a gente queira ou não, e eu preferiria que os fã-criadores se beneficiassem com o $$$ e não algum empresário desonesto que não está nem aí para a nossa comunidade exceto como nicho de&nbsp;mercado.</p>
<p style="clear: both">Não acho que o FanLib será o fator de mutação, mas estou vendo uma mudança no horizonte. Há muita empolgação na indústria do entretenimento sobre os lucros a serem gerados trazendo sua audiência para baixo da sua asa corporativa, ter melhores pesquisas de mercado, vender para eles e fazer $$ a partir de suas conversas sobre seu produto. Mas digamos que se a Paramount levasse a fan fiction de Jornada nas Estrelas para dentro de seu ambiente doméstico, não seria inteligente da parte deles permitir a competição de outros acervos e sites gerenciados por fãs. Se a única opção dos fãs de Jornada nas Estrelas fosse postar num site como o FanLib ou levar uma notificação “Pare &#038; Desista”, então as coisas começariam a ficar desfavoráveis para os fãs de Jornada, mesmo que fosse somente pelo fato das pessoas saírem do fandom ou partirem para o underground para evitar&nbsp;disputas.</p>
<p style="clear: both">Esses comentários sugerem dois debates que atualmente estão fermentando entre os&nbsp;fãs:</p>
<ol style="clear: both">
<li>
<p style="clear: both">A questão sobre se os criadores amadores deveriam ser compensados pelos trabalhos com os quais contribuem para sites lucrativos como o YouTube. Esta é uma questão que levantei aqui anteriormente e não vou discutir em profundidade&nbsp;agora.</p>
</li>
<li>
<p style="clear: both">A preocupação de que, enquanto as empresas constroem uma zona de tolerância em relação a certas formas de atividades dos fãs, elas irão usá-la para policiar de forma mais agressiva as atividades de fãs que considerarem ofensivas ou potencialmente nocivas à sua marca. Os fãs já expressaram há muito tempo seu direito de construir e compartilhar fantasias que podem não ser consistentes com as normas ideológicas das empresas de mídia. Em uma discussão que se assemelha a debates da comunidade lésbica, eles afirmam que enquanto suas fantasias forem policiadas, nenhum deles terá a liberdade de expressão que os levou a se envolver com a cultura de fãs em&nbsp;princípio.</p>
</li>
</ol>
<p style="clear: both">Angiepen, outro fã, desenvolveu uma crítica detalhada sobre os termos de serviço do site, mostrando os meios através dos quais a empresa foi invasiva ao declarar seus direitos de controlar e editar o que os fãs produzissem e como ela poderia ameaçar a desconfortável zona de tolerância que envolve a fan fiction, pelo menos no que diz respeito a alguns dos Poderosos (as empresas de mídia e seus&nbsp;executivos).</p>
<p style="clear: both">Quase todos que conheço na indústria da mídia pensam que estamos caminhando para uma cultura mais participativa, mas há um litígio sobre os termos de participação. Um número cada vez maior de produtores de mídia está adotando o que chamo de modelo “colaboracionista” – adotando a criatividade dos fãs como uma forma de fortalecer o engajamento com suas propriedades. Outros adotaram uma postura de negligência benéfica – dispostos a fingir que não enxergam a proliferação on-line da fan fiction contanto que ninguém esteja lucrando com&nbsp;isso.</p>
<p style="clear: both">Contudo, como notaram os fãs, os esforços do FanLib em comercializar a fan fiction apresentaram o pior cenário possível: uma empreitada altamente alardeada e voltada para o lucro que deixou os escritores de fan fiction ainda mais expostos do que antes. Os fãs notaram há um bom tempo que não há jurisprudência que determine se a fan fiction constitui um fair use . Eles perceberam, contudo, que o “mau caso” poderia facilmente acarretar o tipo errado de julgamento legal sobre todo seu ambiente. Alguns, como AngiePen, foram ainda mais&nbsp;longe:</p>
<p style="clear: both">Talvez eu esteja somente sendo paranóica, mas uma vez que os Termos de Serviço proíbem a postagem de qualquer material que viole o copyright de alguém, em teoria eles poderiam ter criado este site simplesmente para atrair o maior número possível de escritores de fanfic com a intenção de virar a casaca e denunciar todos eles por violação de direitos autorais, quer isso signifique processar de forma direta as pessoas que estão escrevendo ficção com base no produto dos proprietários representados na diretoria do FanLib ou enviar notificações com nomes, e-mails e cópias das histórias para os detentores dos direitos autorais que não são associados ao site. É só minha&nbsp;opinião.</p>
<p style="clear: both"><strong>Como não controlar a controvérsia </strong> E assim o debate continua. Como icarusancalion assinala em seu resumo, a empresa só piorou sua própria situação ao responder à crítica de um modo que os fãs consideraram fortuito e arrogante, além de tentar apagar postagens anteriores quando foram atacados. Por exemplo, quando os fãs criticaram sistematicamente a área de Perguntas Frequentes do site, o FAQ desapareceu das vistas do público. Era de se esperar que fosse reconsiderado e reescrito, mas provavelmente foi retirado simplesmente para esconder o histórico de interações pouco amistosas da empresa com seus fãs. Ela cita o post do executivo do FanLib, Chris Williams à comunidade como&nbsp;exemplo:</p>
<p style="clear: both">“olá, pessoal, sou Chris, um dos fundadores do FanLib. já é bem tarde e estive trabalhando no site o dia inteiro. Estou exausto, mas me liguei do que estava acontecendo aqui e todos esses comentários estão me deixando de saco cheio. somos uma empresa pequena de 10 funcionários que trabalham 16 horas por dia para tentar fazer deste um site legal. somos gente de verdade! temos sentimentos e tudo o mais! temos trabalhado e sonhado com isso há muito tempo e vocês estão aqui somente para cagar tudo sem nos dar uma chance. Eu me importo muito com o que vocês pensam, mas isso é loucura. somos pessoas de bem e vocês nos fazem parecer uma corporação maldita ou o governo que manda seus filhos para a guerra. somos totalmente voltados para fan fiction, seus leitores e escritores. desculpem se estou sendo breve e peço perdão pelo fato de estar copiando e colando este texto em meio a um monte de LJs , mas eu preciso&nbsp;dormir.”</p>
<p style="clear: both">Os leitores que trabalham no mercado de entretenimento irão entender a frustração expressada nesta postagem, mas esse desabafo também pode causar a impressão de soar como o aluno que queria uma boa nota porque deu um duro danado para fazer o dever e não por causa dos resultados. Williams ignora o fato de que um grande número dos fãs envolvidos nessa disputa trabalharam por mais de uma década, alguns por várias décadas, para gerar uma comunidade em torno da fan fiction, e esse é precisamente o motivo pelo qual não querem forasteiros se infiltrando e tentando transformar a coisa em um vertedouro de lucros para suas&nbsp;empresas.</p>
<p style="clear: both"><strong>Modelos alternativos </strong> Conforme a conversa prosseguia, os fãs começaram a fazer suas próprias propostas de como o site poderia conseguir validar essa iniciativa – um repositório central para fan fiction – mas mantendo a produção cultural sob controle da própria comunidade de fãs. Aqui está um trecho de uma dessas propostas para “um arquivo todo nosso” por astolat, que está começando a atrair atenção real entre os fãs com quem tenho conversado nos últimos&nbsp;dias:</p>
<p style="clear: both">Precisamos de um arquivo central nosso, algo como o animemusicvideos.org. Algo que NÃO se esconda do google ou de qualquer menção pública e que deixasse clara nossa situação quanto à legalidade de nosso hobby logo de cara, que não tentasse lucrar com a PI de outras pessoas e sim tornasse mais fácil para nós celebrarmos, juntos, e criarmos um espaço convidativo para novos fãs, que tenha uma noção de nossa história e da comunidade que o&nbsp;sustenta.</p>
<p style="clear: both">Acho que as características necessárias incluem: • administrado POR leitores de fanfic e PARA leitores de fanfic • sem anúncios e financiado somente por doações • com uma interface simples e de alta navegabilidade, com páginas navegáveis de busca rápida • que permita DE TUDO – het, slash, RPF, chan, kink, extremamente adulto – com um processo de cadastro para leitura de histórias classificadas como adultas que torne desnecessário ficar clicando em avisos toda vez que você quer lê-las • que conceda ao autor original o controle sobre suas histórias (por exemplo, fazer upload, excluir, editar e classificar por tags) • que permita que os usuários deixem comentários e que o autor possa excluir ou banir usuários/IPs, mas que não possa editar o conteúdo do comentário (por exemplo, como no LJ) • plataforma de programação que permita a formação de um grande arquivo, de possivelmente milhões de histórias • dar crédito explícito aos criadores originais quando os créditos oficiais forem mostrados. Não é difícil ver o contraste entre o que os fãs querem e o que a empresa está lhes oferecendo. Dada a velocidade com a qual o debate cresceu e as habilidades coletivas dentro da comunidade de fãs, não me surpreenderia que um site como esse emergisse desse&nbsp;atrito.</p>
<p style="clear: both"><strong>O que há de errado com o modelo de “conteúdo gerado por usuários”? </strong> Nessa história, enfatizei o lado dos fãs. É importante ter em mente que deve haver, e quase certamente há, um hiato considerável entre o modo como os diretores do FanLib vêem seu empreendimento e o modo como ele foi compreendido pela comunidade de fãs. Se o FanLib for esperto, ele levará a sério as reclamações provenientes do pessoal que está no âmago das comunidades de fãs e irá tentar refazer seus planos em resposta a esses feedbacks. Não está claro para mim se conseguirão evitar alguns dos problemas fundamentais inerentes à forma com que seu plano de negócios cruza com as comunidades de base que eles dizem querer atender e que alguns fãs temem que a empresa queira&nbsp;explorar.</p>
<p style="clear: both">Espero que outros grupos que estejam entrando no espaço que a indústria gosta de chamar de “conteúdo gerado por usuários” estudem esta história com atenção e aprendam com os erros e tropeços do FanLib. A percepção é importante. Relações comunitárias são do tipo vai ou racha. Não é possível atender a uma comunidade se não se compreende suas práticas vigentes e suas tradições&nbsp;atávicas.</p>
<p style="clear: both">Vamos começar com o conceito do “conteúdo gerado por usuário”. A indústria tende a ver esses usuários isoladamente – como pessoas que querem se expressar e não pessoas pertencentes a comunidades pré-existentes, com suas próprias tradições de cultura participativa. A retórica do FanLib parece ficar entre esses dois conceitos de “usuário“, falando das tradições dos fãs mas também lidando com os fãs como indivíduos isolados e não respeitando suas comunidades como um&nbsp;todo.</p>
<p style="clear: both">Em segundo lugar, a indústria tende a pensar em “conteúdo” como algo que pode ser transformado em uma commodity e então isolado das relações sociais que acompanham sua produção e circulação, embora a cultura dos fãs enfatize os modos como esse material emerge a partir de uma rede social de fãs que possui sua própria estética, política e expectativas em relação ao gênero. E, para muitos fãs, a natureza não-comercial da cultura dos fãs é uma de suas características mais importantes. Essas histórias são o resultado de um trabalho feito com amor, atuando em uma economia de trocas e sendo livremente doadas a outros fãs que compartilham sua paixão por esses personagens. Livres das amarras comerciais que prendem os textos originais, ganham nova liberdade para explorar temas ou experimentar estruturas e estilos que nunca seriam parte das versões “populares” desses&nbsp;mundos.</p>
<p style="clear: both">É claro que já existe um grande número de fãs que estão decidindo participar do site FanLib, para quem seus serviços realmente parecem representar o que o mundo corporativo chamaria de “valor agregado” e provavelmente temos que desenvolver uma compreensão melhor para entender o porquê dessa escolha. Não quero que esta crônica sugira que os grupos de fãs se expressam em uníssono sobre esta ou qualquer outra questão. Só quero sugerir que o FanLib está ferindo antigas convicções dentro das comunidades de fãs ao tentar levar a fan fiction para o terreno&nbsp;comercial.</p>
<p style="clear: both"><strong>Um convite público </strong> Dito isso, gostaria de ouvir a posição dos executivos do FanLib. Adoraria conduzir uma entrevista com eles neste site na qual respondessem efetivamente às críticas dos fãs em relação à sua empreitada. Desse modo, Chris Williams, se você ou qualquer um da FanLib estiver lendo este post, entre em&nbsp;contato.</p>
<p style="clear: both">Atualização: Chris Williams aceitou meu convite para ser entrevistado para o blog. Ainda estamos combinando os detalhes. Enquanto isso, gostaria de pedir aos meus leitores que enviem perguntas que gostariam de fazer nessa ocasião. Meu objetivo é deixar que ele conte seu lado da história e abordar os problemas levantados pelos fãs. Vocês podem enviar perguntas pela seção de comentários deste site ou via e-mail para henry3@mit.edu. Obrigado. Como sempre, meu filtro de spam pode ser um pouco lerdo, portanto se estiver recebendo mensagens de erro, envie suas perguntas diretamente para&nbsp;mim.</p>
<p style="clear: both">Postado por Henry Jenkins às 9h27 - 22 de maio de&nbsp;2007</p>
<p style="clear: both">Traduzido por Ricardo Giassetti e Roberta&nbsp;Bronzatto</p>
<p><br class="final-break" style="clear: both" /></p>
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		<title>Saudações cidadãos do Brasil!</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 14:35:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>henry</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Saudações, cidadãos do Brasil e a todos os falantes da Língua Portuguesa. Bem-vindos à Cultura da&#160;Convergência!
Agora vocês estão diante (muito provavelmente sentados) de uma experiência fascinante. Comecei a versão em inglês deste blog há quase quatro anos como um meio de compartilhar com o mundo algumas das minhas ideias sobre o momento de transformação pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="clear: both">Saudações, cidadãos do Brasil e a todos os falantes da Língua Portuguesa. Bem-vindos à Cultura da&nbsp;Convergência!</p>
<p style="clear: both">Agora vocês estão diante (muito provavelmente sentados) de uma experiência fascinante. Comecei a versão em inglês deste blog há quase quatro anos como um meio de compartilhar com o mundo algumas das minhas ideias sobre o momento de transformação pelo qual a mídia passa atualmente. Ao longo dos anos, ele apresentou meus pensamentos sobre tópicos como entretenimento transmídia, letramento para novas mídias, comunidades de fãs e cultura participativa, mídia cívica e, mais recentemente, mídia de&nbsp;propagação.</p>
<p style="clear: both">Durante esse tempo, o site também apresentou o trabalho de meus alunos – primeiramente do MIT e agora da USC (University of Southern California) – e apresentou entrevistas com algumas das maiores mentes do mundo no instável panorama da mídia atual. Também abriguei algumas discussões importantes entre acadêmicos, como por exemplo a longa conversa entre pesquisadores do sexo masculino e feminino sobre os gênero e estudos sobre fãs. O blog atrai uma audiência que abrange uma realidade – na verdade, várias realidades – incluindo acadêmicos, estudantes e educadores, pessoas da indústria da mídia, jornalistas, políticos, fãs e gamers. Por essa razão, nos esforçamos em empregar uma linguagem que possa ser usada pelos muitos setores que estão moldando e sofrendo o impacto das mudanças em nossas capacidades&nbsp;comunicativas.</p>
<p>Agora, <strong>pela primeira vez</strong>, este blog está sendo traduzido para uma segunda língua e não é por obra do acaso que estamos querendo deixar este blog mais acessível aos brasileiros. O Brasil é um país no ápice de enormes mudanças, capaz de exercer uma influência importantíssima na cultura global do século XXI. Fiz minha primeira visita ao seu país há dois anos, para lançar a edição em português do meu livro e fiquei extasiado com a resposta que tive ao meu modo de pensar sobre a mídia. Fui entrevistado diversas vezes pela imprensa brasileira desde então. Quase todos os dias vejo posts de blogs e comentários no Twitter, em português, reagindo ao conteúdo do livro. Estamos vendo um número cada vez maior de empresas brasileiras integrando e se interessando por nosso Consórcio da Cultura da Convergência. E estamos prestes a formar uma parceria com a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro para que o Projeto de Letramento nas Novas Mídias possa contribuir com seus esforços na formação de professores. Por tudo isso, devo agradecimentos a Maurício Mota, meu patrono e amigo, e seu grupo, Os Alquimistas, que tornaram possível meu envolvimento nesse diálogo caloroso e hospitaleiro com as pessoas de seu&nbsp;país.</p>
<p>Com a proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Rio, o mundo voltará seus olhos para o seu país, seu povo, sua cultura e, potencialmente, para sua mídia. Outros países usaram as Olimpíadas especialmente como catalisador para transformar sua sociedade e adotar inovações em suas rotinas diárias. Por ser de Atlanta, pude observar essas transformações acontecerem em minha cidade natal durante as preparações para as Olimpíadas de 1996. Esse olhar mais próximo resulta em uma percepção diferente – observe as discussões sobre como o mundo veria Xangai durante os preparativos das Olimpíadas na China. E, por isso, pensei em usar este post introdutório para mostrar o que penso sobre o futuro da mídia no Brasil. Ao fazer isso, espero evitar parecer só mais um &#8220;Americano Chato&#8221; tentando dizer ao resto do mundo como devem agir. Pelo contrário, espero fazer algo um pouco mais humilde, sugerindo meios para que o Brasil possa aprender com os erros que foram cometidos nos Estados Unidos e outros lugares. Assim, espero chamar a atenção para algumas das forças que estão causando impacto no panorama da mídia no&nbsp;momento:</p>
<p><span id="more-93"></span><br /><strong>Globalização</strong> – Nas últimas duas décadas, o Japão descobriu seu poder cultural, ou &#8220;soft&#8221;, conforme as exportações de suas mídias tornavam-se cada vez mais influentes ao redor do mundo. Os mangás – quadrinhos japoneses –, vendem algo em torno de quatro vezes mais que os comics americanos no mercado interno dos Estados Unidos, até agora o único produto internacional a vender mais que o produto doméstico neste país. A Índia e a Coréia não parecem estar muito atrás quanto a sua habilidade em gerar interesse global por produtos culturais que anteriormente pareciam ser tão locais que contavam com um mercado limitado além de suas próprias regiões. Poucos anos atrás, quando visitei Varsóvia, fiquei sabendo que a universidade de lá estava fazendo noites Bollywood porque os estudantes estavam cativados pelo cinema e pela música indianos. E pode estar certo de que não há muitos imigrantes do sul da Ásia na Polônia. Portanto, o que deu à Ásia o impulso para esse salto?<br />Em cada um desses casos, seus produtos de mídia são distintos – refletindo sua cultura e tradições nacionais. Esses produtores de mídia deram o seu melhor, dominando seus mercados locais ao mesmo tempo em que ofereciam algo que satisfizesse seu próprio nicho em um mercado global de mídia mais diversificado. Eles conseguiram isso não somente ao criarem um cinema de arte digno de exportação, mas também se apoiando ao poder da cultura popular e provocando o desejo de uma população mundial jovem em busca de um menu de opções mais diversificado. Em todos esses casos, esses países dependeram do potencial de comunicação informal tanto desses fãs da cultura pop internacional quanto de suas próprias populações imigrantes para ensinar aos públicos desses vários países seu gêneros, produtores e tradições. Fizeram isso, em parte, fingindo não enxergar certas formas de &#8220;pirataria&#8221; para que pudessem superar certas políticas protecionistas instaladas nesses países para proteger seus produtores locais de mídia. Esses intermediários informais – sejam fãs ou imigrantes – puderam promover o conteúdo a um custo muito mais baixo e com riscos muito menores de fracasso do que empresas e governos teriam de enfrentar.<br />A telenovela latino-americana pode ser o próximo grande gênero a dar o grande salto para o conteúdo de mídia global – já tendo estabelecido uma base econômica sólida em sua região, já tendo sido bem aceita e aderida em outros países e canais a cabo com foco na população imigrante e já tendo sondado formatos que podem ser adotados por mercados locais no resto do mundo (&#8220;O Clone&#8221; e &#8220;Betty, a feia&#8221;). A longa história do Brasil como um país produtor de cinema e televisão e sua forte tradição na exportação de música popular o faz um candidato ideal para estratégias similares, mesmo que menos pessoas no mundo falem português do que espanhol, japonês, hindi ou chinês.<br />Em 2008, em nossa conferência Futures of Entertainment no MIT, Maurício Mota compartilhou conosco o case de Tropa de Elite, um filme que foi pirateado via Torrent em muitos países do mundo, fato que lhe rendeu uma audiência ilegal global de 13 milhões de pessoas, mas que também expandiu seu mercado para mais de 5 milhões de consumidores legais. Novamente, vemos que a circulação informal da mídia – legal e ilegal – revela uma percepção global e expande o potencial de mercado para exportação de produtos culturais. O desafio é criar uma &#8220;<strong><em>economia moral</em></strong>&#8221; na qual os fãs apóiem os esforços para o ingresso em novos mercados, mesmo que estejam dispostos a utilizar canais ilegais para iniciar a abertura desses&nbsp;mercados.</p>
<p><strong>Propagação</strong> – Para atingir a consciência global, o conteúdo de mídia precisa ser planejado de modo a poder cruzar as fronteiras nacionais com facilidade. Até certo ponto, essa é uma questão de design tecnológico – criar um vídeo que possa ser incorporado a uma série de contextos diferentes e que não se prenda a um único ambiente somente porque é valorizado porque &#8220;isso pega&#8221;. Quando não se faz parte integrante do fluxo global de mídia, esse fato &#8220;pegar&#8221; é um beco sem saída – você pode estar oferecendo aos seus consumidores um &#8220;pulgueiro de beira de estrada&#8221; do qual eles não podem escapar, mas não terá gerado atenção periférica suficiente para que alguém mais além dos seus consumidores regulares procure seu site. Em um determinado nível, é uma questão de prática legal não calar seus seguidores e até mesmo fornecer-lhes materiais que podem ajudar na divulgação da mensagem. De certo modo, é uma questão de prática social – a habilidade cada vez maior com que fãs de todos os tipos se relacionam com as tecnologias das redes sociais (como o Orkut, que já exerceu grande influência na cultura brasileira). Repita depois de mim: <strong><em>se sua idéia não for propagada, ela morre.</em></strong><br />Há dois meses recebi um link para um vídeo sensacional que apresentava o vencedor do Got Talent ucraniano – uma talentosa contadora de histórias que desenhava imagens com areia ao vivo para influenciar as respostas emocionais de sua audiência. O vídeo já tinha 2 milhões de visualizações quando o assisti e se você fosse até o link original no YouTube, ficava claro que muitos daqueles espectadores não falam ucraniano ou tinham qualquer ponto de entrada para aquela cultura. Posso dizer com certeza que eu nunca havia procurado conteúdo da televisão ucraniana&nbsp;antes.</p>
<p style="clear: both">
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		<title>Há um ano atrás&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 20:40:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O livro Cultura da Convergência chegava no Brasil em português. Lançado no MaxiMidia 2008 (evento de renome do Grupo Meio &#38; Mensagem), ele foi distribuído no dia em que seu autor, Henry Jenkins, deu uma palestra para a nata do mercado de mídia e comunicação&#160;brasileiro.
E de lá para cá muitas coisas&#160;aconteceram:

A Petrobras e o IG [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro Cultura da Convergência chegava no Brasil em português. Lançado no MaxiMidia 2008 (evento de renome do Grupo Meio &amp; Mensagem), ele foi distribuído no dia em que seu autor, Henry Jenkins, deu uma palestra para a nata do mercado de mídia e comunicação&nbsp;brasileiro.</p>
<p>E de lá para cá muitas coisas&nbsp;aconteceram:</p>
<ul>
<li>A Petrobras e o IG entraram como primeiras empresas fora dos EUA a participar do Convergence Culture Consortium (C3, divisão do MIT nascida do&nbsp;livro);</li>
<li>A disciplina Transmedia Storytelling (também nascida do livro) começou a ganhar corpo e ser discutida e praticada nas principais indústrias de entretenimento do&nbsp;mundo.</li>
<li>O livro começou a se tornar uma espécie de bússola para empresas e outros tipos de organizações no país. Um novo vocabulário começava a&nbsp;nascer.</li>
</ul>
<p>Esse blog terá o objetivo de difundir mais e mais a Cultura da Convergência e cruzar seus conceitos com as mais diversas áreas: entretenimento, educação, mídia, responsabilidade social e&nbsp;política.</p>
<p>Aqui também estará brevemente hospedado o blog &#8220;Youtube e a revolução digital&#8221; sobre o livro do mesmo nome e que além de ter um texto de Henry Jenkins, tem entre seus autores Joshua Green - diretor de pesquisa C3. O que é coerente visto que ele é fruto de estudo do centro e muito inspirado nas frentes iniciadas por&nbsp;Henry.</p>
<p>Last but not least, o autor escreverá posts inéditos para o mercado brasileiro!! Semana que vem teremos aqui o post de estréia. Falará sobre animes japoneses e&nbsp;telenovela.</p>
<p>Tenho o prazer de dividir a curadoria do blog com Suzana Pedrinho, especialista em comunicação digital e grande estudiosa do assunto. Um privilégio dividir esse espaço com ela, e é claro, com&nbsp;Henry.</p>
<p>É isso. Começa aqui uma nova fase da Cultura da Convergência no Brasil. E objetivo desse blog é ajudar qualquer a pensar diferente e também FAZER diferente. Pois temos aí deliciosos desafios nos mercados de mídia, entretenimento e&nbsp;educação.</p>
<p>Abraço,</p>
<p>Maurício Mota<br />
Chief Storytelling Officer<br />
Co-founder<br />
The Alchemists<br />
Blog:&nbsp;<a href="http://www.oalquimista.com">www.oalquimista.com</a></p>
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